Arquivos Mensais: fevereiro \23\UTC 2015

Às agressões humanas, a Terra responde com flores

Leonardo Boff

Mais que no âmago de uma crise de proporções planetárias, nos confrontamos hoje com um processo de irreversibilidade. A Terra nunca mais será a mesma. Ela foi transformada em sua base fisico-quimica-ecológica de forma tão profunda que acabou perdendo seu equilíbrio interno. Entrou num processo de caos, vale dizer, perdeu sua sustentabilidade e afetou a continuação do que, por milênios, vinha fazendo: produzindo e reproduzindo vida.
Todo caos possui dois lados: um destrutivo e outro criativo. O destrutivo representa a desmontagem de um tipo de equilíbro que implica a erosão de parte da biodiversidade e, no limite, a diminuição da espécie humana. Esta resulta ou por incapacidade de se adaptar à nova situação ou por não conseguir mitigar os efeitos letais. Concluído esse processo de purificação, o caos começa mostrar sua face generativa. Cria novas ordens, equilibra os climas e permite os seres humanos sobreviventes construírem outro tipo de civilização.

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O bem comum foi enviado ao limbo

Leonardo Boff

As atuais discussões políticas no Brasil em meio a uma ameaçadora crise hídrica e energética se perdem nos interesses particulares de cada partido. Há uma tentativa articulada pelos grupos dominantes, por detrás dos quais se escondem grandes corporações nacionais e multinacionais, a midia corporativa e, seguramente, a atuação do serviços de segurança do Império norte-americano, de desestabilizar o novo governo de Dilma Rousseff. Não se trata apenas de uma feroz critica às políticas oficiais mas há algo mais profundo em ação: a vontade de desmontar e, se possível, liquidar o PT que representa os intersses das populações que historicamente sempre foram marginalizadas. Custa muito às elites conservadores aceitarem o novo sujeito histórico – o povo organizado e sua expressão partidária – pois se sentem ameaçadas em seus privilégios. Como são notoriamente egoistas e nunca pensaram no bem comum, se empenham em tirar da cena essa força social e política que…

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Blog do Esmael » Governistas chegam a acordo: ‘massacre aos funcionários públicos’

http://www.esmaelmorais.com.br/2015/02/governistas-chegam-a-acordo-massacre-aos-funcionarios-publicos/

Falsa Economia: Individualismo Metodológico em História

Cidadania & Cultura

Falsa Economia

Dedicamos os últimos posts a resenhar o livro de Bolívar Lamounier — Tribunos, profetas e sacerdotes : Intelectuais e ideologias no século XX (1a. ed. — São Paulo : Companhia das Letras, 2014. 226 páginas) –, em que ele chama a atenção para a extensão em que o economicismo impregnara as análises da intelectualidade de esquerda, quando ela tateava na busca de explicações para o golpe militar de 1964.

“Realmente, o universo político que transparece de tais análises assemelha-se a uma máquina pré-programada: um autômato que executa suas tarefas sem necessidade da interferência humana. Os indivíduos e associações que nelas aparecem não são autônomos, são meros figurantes numa grande peça chamada ‘lógica do capital’. Tampouco há organizações ou partidos dedicados a articular e agregar vontades e interesses. Não havendo indivíduos, é claro que não há temperamentos, nem emoções, nem erros, nem acertos, nem incertezas…

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Fundamentalismo do Ocidente e do Extremo Ocidente

Leonardo Boff

Predominante é o fundamentalismo islâmico. Mas há também uma onda de fundamentalismo especialmente na França e na Alemanha onde comparecem fortemente a xonofobia, a islamofobia, o antiseminitismo. Os vários atentados da al-Qaeda e de outros grupos jihadistas alimentam esse sentimento que desumaniza a todos: as vítimas e os causadores das vítimas. Podemos comprender os contextos globais que subjazem à violência terrorista (o terror das guerra do Ocidente levadas ao Oriente Médio), mas jamais, por nenhum motivo, aprová-la por seu caráter criminoso.

Radical é o fundamentalismo em vários grupos do Islam, criando um novo tipo de guerra: o terrorismo. Atualmente é ofensivo acusar alguém de fundamentalista. Geralmente só os outros são fundamentalistas, esquecendo, não raro, que quem acusa também vive numa cultura de raiz fundamentalista. É sobre isso que quero me deter rapidamente, mesmo irritando não poucos leitores e leitoras. Refiro-me ao fundamentalismo presente em amplos setores do Ocidente e do…

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História Econômica

Cidadania & Cultura

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A História Econômica é algo difícil de se explicar e de se ler, por dois motivos.

Em primeiro lugar, envolve a união forçada de disciplinas que caem naturalmente em direções distintas.

A História, em sua forma mais tradicional, vive de pormenores e particularidades — aquilo que o historiador Arnold Toynbee (em tom de desaprovação) definiu como o estudo de “um maldito fato atrás do outro”.

A História enfatiza a importância da narrativa sobre:

  1. o modo pelo qual os países se desenvolvem,
  2. o papel desempenhado pelo acaso e pelas circunstâncias na influência de personagens e eventos importantes.

A Economia, por sua vez, tenta definir leis universais (“leis de movimento social”) a partir da confusão de dados que o mundo nos fornece:

  1. gerando previsões confiáveis e testáveis sobre o funcionamento particular das economias, ou
  2. começando em um ponto específico e seguindo por um caminho específico.

Ambas…

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Casta e Poder: Fundamentos Teóricos

Cidadania & Cultura

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David Priestland, no Apêndice de seu ensaio Uma Nova História do Poder: Comerciante, Guerreiro, Sábio (São Paulo; Companhia das Letras; 2014), apresenta uma resenha dos fundamentos teóricos dos conceitos que possibilitaram sua análise histórica inovadora, um sopro de novidade na mesmice acadêmica. Possibilita à esquerda ir além na análise pós-marxista.

Quem controla a sociedade e quem tem o Poder de direcionar as mudanças históricas?

A questão do Poder, e de como os micro poderes são distribuídos na sociedade, está no centro do debate intelectual desde que Marx propôs sua Teoria das Classes. O ensaio de Priestland se fundamenta nessa vasta literatura, porém deve muito, em especial,

  1. à tradição sociológica de Marx e Weber,
  2. à sociologia histórica de Michael Mann e Charles Tilly,
  3. à sociologia cultural francesa de Pierre Bourdieu e Luc Boltanski, e
  4. à sociologia política do germano-americano Herbert Kitschelt.

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